Rede Mulher Empreendedora e Gradual Investimentos criam fundo para investir em empreendedoras

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fernanda de lima gradual investimentos w55. Foto: Getty Images

Em 2015, o G20 – grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia – criou um grupo de diálogo para assegurar a equidade gênero, reduzindo a diferença de emprego de gênero em 25% até 2025, chamado W20. Na reunião de 2017 do W20 em Berlim, Ana Fontes, fundadora da RME participou e acompanhou algumas metas definidas: dentre elas, o avanço e maior acesso a capital para empresas lideradas por mulheres.

Assim surgiu a ideia do W55, a versão brasileira do W20, sendo 55 o código do Brasil.

Esta semana foi anunciado o lançamento desta iniciativa, parceria entre a Gradual Investimentos e a Rede Mulher Empreendedora: um marketplace que pretende dar acesso às empreendedoras a network, treinamento, aceleração e acesso a capital. Em entrevista ao STARTUPI, Fernanda de Lima, presidente da Gradual Investimentos, explicou como a iniciativa funcionará.

“Em um primeiro momento estamos oferecendo dois fundos, um que investe em participações na empresa, e outro que compra dívida ou antecipa duplicatas”, explica. O objetivo, segundo ela, é dar acesso a capital mais barato do que aquele oferecido pelos bancos. “Como sou a única mulher que controla e toca uma instituição financeira, ouvi da minha filha que tinha uma obrigação: ajudar as mulheres a terem acesso a capital mais barato”, explica.

Para ela, essa obrigação realmente existe. “As mulheres que lideram instituições financeiras, mas são executivas, não têm a liberdade que eu tenho de tomar essa decisão. Além disso, como economista sei que empresas lideradas por mulheres têm maior impacto no crescimento da economia.”

Fernanda explica que, com o tempo, é possível que o W55 cresça e comece a apoiar outras empresas em toda a América Latina. Isso porque, segundo ela, apenas 2% do dinheiro disponível por fundos no mundo é destinado para empreendimentos liderados ou cujo fundador é uma mulher. O W20 quer reduzir esse gap, e o W55 pretende ajudar essa redução no Brasil.

“Tanto a Ana Fontes da RME quanto eu temos experiência no universo empreendedor. Estamos fechando a governança dos Fundos, que contará com profissionais com experiência em aceleração, empreendedorismo, acesso a capital e fomento. As empresas poderão cadastrar o seu pitch e porque querem os recursos. Dependendo de análise, a empresa seria direcionada a melhorar a capacitação empreendedora, ou a acelerar a empresa, ou se já estiver pronta a ter acesso a recursos para crescer”, diz a fundadora.

Ana Fontes, fundadora da RME

O fundo ainda não tem data para lançamento oficial, porque as fundadoras estão fechando ainda a governança corporativa do projeto, ou seja, quem serão as pessoas que tomarão a decisão sobre o estágio em que a empresa se encontra. Fernanda diz que já há uma lista de nomes com larga experiência nesta área. “De certa forma, todos vamos nos doar, no caso da Gradual, por exemplo, como os custos de estruturação de fundos ou títulos pode ser elevado, iremos absorver esses custos, de forma a tornar as estruturas mais acessíveis a pequenas empresas.”

Investimento

O W55 terá dois fundos de investimento, cada fundo tem o seu ticket. Por exemplo, no fundo de antecipação de recebíveis, os tickets podem ser menores, de até R$100 mil. Em investimentos de dívida estruturada, Fernanda acredita que faz sentido ter um ticket maior de investimento, de pelo menos R$1 milhão. “Nos de participações podemos investir um quantia maior de até R$5 milhões”, diz. O foco dos fundos é a base da pirâmide, ou seja, pequenas e médias empresas, que já saíram da fase de fomento, e precisam crescer, ou custos mais baixos de capital de giro. Quanto ao investimento mínimo, através do Equity Crowdfunding será possível investir menos de R$ 10 mil reais.

Ainda não existe uma previsão de quantas empresas serão investidas, tudo depende da seleção delas. “Como a ideia é assegurar sustentabilidade das empresas, vamos começar investindo no máximo entre 20 e 30 empresas. E, com o tempo, vamos crescendo.” Ela diz que o objetivo não é necessariamente oferecer o maior retorno, mas o melhor retorno com impacto positivo na sociedade. “Entendemos que a nova geração de investidores, quer deixar a sua marca ao investir, e por isso é importante termos muito cuidado na seleção dos ativos. Somos uma empresa ‘for profit’, que se preocupa com benefício agregado à economia”, diz.

Sobre o critério de avaliação das startups aportadas, Fernanda diz que, em termos gerais, devem ser empresas que tenham impacto positivo para a economia, e projetem crescimento sustentável. Porém, as regras efetivas serão fechadas quando a Governança for anunciada.

Uma iniciativa como esta impacta de forma muito positiva o ecossistema do empreendedorismo, principalmente no que diz respeito ao protagonismo e empoderamento feminino neste segmento. “Como mulheres empreendedoras, tanto eu quanto a Ana Fontes sabemos que as mulheres têm maior dificuldade de ter acesso ao capital. E não se trata necessariamente de preconceito, mas de viés de trabalhar com quem eu conheço. Como a maioria dos profissionais que decidem concessão de crédito são homens, é natural subconsciente seja mais propensos a emprestar dinheiro para empresas lideradas por homens”, afirma.

Clique aqui para saber o que aconteceu durante o Fórum Empreendedoras 2017 e confira uma prévia da 2ª edição da pesquisa “Quem São Elas?”, que mapeia o perfil da mulher empreendedora no Brasil.

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